blogzine da chili com carne

domingo, 4 de fevereiro de 2018

5º concurso interno de Banda Desenhada da Chili Com Carne : Toma lá 500 paus e faz uma antologia de BD!

A quinta edição do concurso 500 paus já começou 
e a entrega deverá ser feita até dia 
4 de FEVEREIRO de 2018



 A Associação Chili Com Carne lançou no ano de 2013 a ideia de um concurso para fazer um livro em Banda Desenhada para matar a modorra na cena portuguesa da altura.

Lançou até agora vários resultados como Askar o General de Dileydi Florez e O Subtraído à vista de Filipe Felizardo, trabalhos que participaram no concurso. Em Outubro de 2015 saiu a primeira obra vencedora (do primeiro concurso, de 2013) ou seja, The Care of Birds / O Cuidado dos Pássaros de Francisco Sousa Lobo, que terá uma edição espanhola. No dia 6 de Outubro de 2016 foi a vez do romance gráfico Acedia de André Coelho, obra vencedora do concurso de 2015. Para o ano prevê-se o lançamento do livro de José Smith Vargas, vencedor de 2014, e o do último vencedor, Tiago Baptista.


Este ano, temos novos moldes, estejam atentos, porque queremos livros colectivos!!!



...

Instruções (não muito complicadas):
Para quem? 
Para Sócios da CCC com as quotas em dia!
- não é sócio?  Então clique neste LINK.

O prémio é monetário? 
É sim! 500 paus! Quinhentos Euros!
O trabalho será publicado.
E, para a próxima edição, os vencedores são convidados a fazer o cartaz e a integrar o júri!

Quem decide o vencedor?
Uma parte da actual Direcção da Associação Chili Com Carne, o vencedor da edição passada e alguns outros associados, a saber: Ana Biscaia (ilustradora - Prémio Nacional de Ilustração 2013), Isabel Carvalho (artista e docente, autora de Allen), Marcos Farrajota (editor), Sofia Neto (autora de BD e docente) e Tiago Baptista (artista e vencedor da edição anterior).
O Júri reserva-se o direito de não atribuir o prémio caso não encontre qualidade nos trabalhos propostos.

Datas?
4 de Fevereiro 2018 é a entrega dos projectos!
14 de Fevereiro 2018 é anunciado o vencedor!
O livro é publicado em 2019!? (Os autores é que sabem o que deverão se comprometer)

 Regras de apresentação dos trabalhos
- O livro não tem limite de páginas e de formato mas porque desejamos inseri-lo nas nossas colecções já existentes - Colecção CCC, QCDA, LowCCCost, MercantologiaTHISCOvery CCChannel - o projecto terá mais hipóteses de ganhar se for apresentado nessas colecções.
- Preferimos o preto e branco mas a cor não está totalmente afastada.
- Envio do seguinte material: a) texto de apresentação do(s) autor(es), b) sinopse do projecto, c) planeamento por fases com datas, d) envio de 20% do total do livro, sendo que o mínimo serão 4 páginas seguidas e acabadas e 16 planeadas.
- Todos estes elementos devem ser entregues em PDF, em serviço de descarga em linha (sendspace ou wetransfer) cujo endereço deve ser enviado para o e-mail ccc@chilicomcarne.com

Que projecto pode ser apresentado? 
Não parece haver limites de conteúdo, o que interessa-nos é desenvolver laços entre vários autores. Este Novo Milénio além de nos ter oferecido fascistas no governo dos países e das pessoas, também trouxe egoísmo DIY e a imposição da "novela gráfica" (mais uma designação saloia que a BD conseguiu recriar) como formato editorial.

São as seis páginas de "Here" de Richard McGuire de 1989 que interessam e não "Here" de 2014, uma balofa "graphic novel" de 300 páginas. São as antologias e os colectivos que incentivam a criação, a Liberdade, a inovação, a cooperação, a solidariedade e a experimentação. Todos eles, valores que o neo-liberalismo despreza e que até propõe o seu contrário, privilegiando a corrida de ratos!

Podíamos dar aqui mil exemplos de antologias - vários autores com um tema comum, uma convocatória louca como a seminal Mutate & Survive, etc... - MAS o melhor conselho para vencerem este concurso é este: reúnem malta para uma jantarada, discutam ideias, a melhor surgirá quando lavarem os pratos... Será a mais preciosa e extravagante de certeza! Assustem-nos!

Boa sorte!
CCC
Este projecto têm o apoio do IPDJ

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Como ser sócio da Associação Chili Com Carne?

O regime de sócios da Associação Chili Com Carne passa pelo pagamento de uma jóia no valor de 30€ (15€ para menores de 30 anos) e o envio dos seguintes dados para o nosso e-mail: ccc@chilicomcarne.com

_nome
_data de nascimento
_morada
_tlm
_e-mail
_www
_fotografia (um jpg qualquer para fazer o cartão de sócio)

O valor da quota deve ser depositado na conta do seguinte EBAN: PT50003502160005361343153 (swift / bic: CGDIPTPL); ou através de paypal.

Quais as regalias de ser sócio da CCC?
_Oferta do livro Futuro Primitivo, uma antologia de "screwed and chopped comix";
_30% de desconto sobre as edições da CCC;
_30% de desconto sobre as edições da MMMNNNRRRG;
_Desconto sobre outras edições presentes no catálogo online da CCC;
_informação em primeira mão de projectos da CCC;
_apoio a projectos editoriais*.
_descontos no uso do projector de vídeo.


E depois disto?
Passado um ano há um quota a pagar de 10€ e ainda recebe um exemplar d'O Andar de Cima de Francisco Sousa Lobo!



* Apoio a projectos editoriais Ao longo do tempo a CCC tem vindo a definir de forma mais precisa qual a vertente de actividades para a qual está mais vocacionada, sendo que a edição em suporte de papel tem sido aquela que a CCC melhor tem sabido gerir. Os sócios da CCC com projectos editoriais poderão solicitar o apoio no campo da produção, distribuição e promoção. A selecção de projectos será discutida consoante cada caso. Sendo que seja imperativo ler este MANUAL!

domingo, 31 de dezembro de 2017

MAKE LIFE GREAT AGAIN - Exposição de BD na MUNDO FANTASMA até 31 Dezembro 2017



As bandas desenhadas do finlandês Tommi Musturi são quase sempre mudas (sem texto) e de uma comicidade camuflada. Acima de tudo é um humanista que apresenta o seu mundo e as suas personagens de todos ângulos de forma a girá-los num círculo em que a verdade apresenta-se sempre em mutação. No ano de 2011 ganhou o prémio principal da BD finlandesa, Puupäähattu, pela Sociedade Finlandesa de BD. Os seus trabalhos tem sido exibidos e publicados em mais de 10 países - como o The Books of Hope editado pela importante Fantagraphic Books.

O autor esteve presente no Porto, para inaugurar uma exposição de originais de BD e outras imagens na galeria da Mundo Fantasma. A exposição estará patente ao público até ao último dia do ano.

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Tommi Musturi nasceu em 1975, é um dos autores mais excitantes num país onde onde surgem dezenas de autores excitantes! Desde miúdo que é um activista, começou por editar nos anos 90 singles de Noise Rock e zines de BD sob a chancela Boing Being, em que se destaca a antologia Glömp cujo último número explorou narrativas em três dimensões - número experimental, luxuoso e basilar que teve direito a uma exposição que passou pela Bedeteca de Lisboa em 2009.

Apesar de viver em Tampere é um dos elementos mais activos do atelier Kuti Kuti (de Helsinquia) que edita o muy psicadélico jornal de BD Kuti - um caso único no mundo, diga-se de passagem. No caso português participou nas antologias Quadrado (3ª série, Bedeteca de Lisboa), Mesinha de Cabeceira Popular #200 e no MASSIVE - ambas da Chili Com Carne. Foram também publicado os livros To a stranger (Opuntia Books; 2010) e Beating (MMMNNNRRRG; 2013) dedicados à sua obra gráfica. Já nos visitou várias vezes entre elas na Feira Laica na Bedeteca de Lisboa (2009) e no Festival de BD de Beja (2014).

Os livros Caminhando Com Samuel e Simplesmente Samuel, com edição em nove países, têm lhe granjeado fama internacional, sendo que o primeiro título foi uma das obras seleccionadas para o livro de referência 1001 Comics you must read before you die.

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Uma organização Mundo Fantasma / MMMNNNRRRG, com o apoio do Finnish Literature Exchange.


sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Arraste com os Fofinhos


A Feira Morta apresenta-se num formato pequeno e d'arraste para dar a conhecer com calma alguns dos trabalhos editados ao longo dos últimos tempos no campo das fanzines.

Nesta primeira edição Mariana Pita apresenta-nos o seu Lá Fora Com os Fofinhos recentemente editado pela Chili Com Carne. Estarão ainda presentes Gonçalo Duarte, o colectivo Clube do Inferno e Xavier Almeida que editou o mês passado o romance gráfico Santa Camarão também pela Chili com Carne.

Seguirse-á um curto concerto da Moxila com chá e bolo e Dj set natalício de unDJ MMMNNNRRRG. Quando baterem as nove, a música fica a cargo da Halyne, que fará por assegurar as delícias de quem quiser ficar a ler zines até mais tarde.

Tudo isto na Pequena Notável, Sexta-Feira 15 de Dezembro

LÁ FORA COM OS FOFINHOS de Marina Pita ---- lançamento na PEQUENA NOTÁVEL 15 de Dezembro!!!



Mariana Pita transforma o ordinário em extraordinário. As suas histórias são sobre pequenas aventuras e dias de praia onde situações e personagens familiares se misturam com pormenores estranhos e inesperados. Lá Fora com os Fofinhos é como um sonho que distorce memórias de verões passados. 
- Joana Estrela



Ler o trabalho de Pita é como ter um daqueles sonhos em que tudo é perfeitamente normal e completamente surreal ao mesmo tempo. Enigmáticas e doces, estas bandas desenhadas vão avançando de forma incerta conduzidas pelo movimento do desenho. Uma força misteriosa em acção! 

- Disa Wallander


Co-edição Chili Com Carne + O Panda Gordo 
com o apoio do IPDJ

112p. a cores, em papel Inaset de 100 g/m2. (48p com menos 1 cm de largura no miolo), capa a cores em papel Inaset de 250 g/m2

Lá fora com os fofinhos compila várias BDs de Mariana Pita - como música também é conhecida por Moxila - entre 2013 e 2017, algumas publicadas em vários fanzines e na Internet, outras não...

Algumas BDs estão em inglês com legendas em português e vice-versa


à venda na loja virtual da Chili Com Carne, BdMania, Mundo Fantasma, Linha de Sombra, Utopia, Matéria Prima, Tigre de Papel, Artes & Letras, Kingpin Books e brevemente na FNAC e Bertrand


LANÇAMENTO OFICIAL na PEQUENA NOTÁVEL, dia 15 de Dezembro às 18h na iniciativa D'arraste.




terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Anarchist Xmas gift: "Gilles Deleuze and the Poisoning of Beethoven"

Chili Com Carne is looking for foreigner publishers for the following book: "a" maiúsculo com círculo à volta - or is you prefer: Caps "a" with circle around. 




It's a book about music and anarchy written by renowed music critic Rui Eduardo Paes (or REP, his friendly acronym) and illustrated by various Chili Com Carne artists: Joana Pires, Marcos FarrajotaAndré Coelho, Jucifer, Bráulio Amado (also Designer of the book), José Feitor, David Campos, Daniel Lopes, André Lemos, João Chambel and Ana Menezes.


Often, and in a few cases if not abusively, Punk is identified with Anarchism. In another music areas, there's the usual analogies of the so-called "free-improvisation" with libertarian principles, even if some of the players are musicians with political and social perspectives influenced by Marxist currents such as the Trotzkism and Maoism. There are more connections between music and Anarchy that meets the eye and that's what this short book of Rui Eduardo Paes will reveal... In it, REP lists the music of norwadays like jazz, improvisation, pop-rock, noise or experimental electronics. Daniel Carter, Lê Quan Ninh, John Cage, Fela Kuti, Frank Zappa, Thom York (Radiohead) and Nicolas Collins are some of the figures portrayed by his analytical writing with philosophical dimension, often with humor and provocative thoughts has this essayist and editor of the online magazine jazz.pt is known for. Among the topics covered throughout the ten chapters widely illustrated are the occult, spirituality, science, science fiction, technology, love and sex, with reference to authors as Robert Anton Wilson, Hakim Bey, Murray Bookchin, Starhawk and Ursula K. Le Guin.



About the author: 

Rui Eduardo Paes is a rare example of something rare: a journalist whose work is as essential and informative as it is well-researched and passionate. - Dan Warburton (Wire, Paris Transatlantic)

Music critic and writer free-lancer. Chief-editor of the jazz and improvised music online magazine JAZZ.PT, after six years of editions in paper. Artistic director of the festival Jazz no Parque, produced by Serralves Foundation. Author of nine books about music mixed with multimedia, politics and queer theory. Collaborative work with Culturgest and the recording labels Clean Feed and Shhpuma. Co-founder, with Carlos "Zíngaro", of the artists association Granular, and member of its direction for 11 years, until 2013. Co-founder of the Ernesto de Sousa Fellowship (Experimental Intermedia Foundation / Luso-American Foundation / Calouste Gulbenkian Foundation) and member of its permanent jury for 20 years, until the last edition in 2013. Former assessor of the ACARTE Service / Calouste Gulbenkian Foundation's board of directors.


This is the first chapter, "Gilles Deleuze and the posining of Beethoven", translated in English:

We are experiencing interesting times in the history of anarchist thinking. The avant-garde in this field has gained the designation of Post-Anarchism due to having internalised contemporary critical reflections such as those proposed by philosophers in the post-structuralist school, in particular Gilles Deleuze and Michel Foucault.

At a time when Anarchy no longer needs to be adverse to the divine, when we may encounter a flourishing Christian anarchist movement, defending the return to a savage state, and an anarchist Paganism, with incursions into Shamanism and ritual recourse to narcotic substances, these “new persons” (as the Russian Nihilists of the late 19th and early 20th centuries first got identified with the term surviving to identify their intellectual descendants) have delighted in the discovery of occultism and all its speculative potentials.

There is thus the clear pleasure that Christian Kerslake found in one of the first texts written by Deleuze, published in 1946, when the author was just 21 years of age. This represents the preface to an obscure book written by a physician and occultist in the Romantic period, of whom we today hear so little reference, one Johann Malfatti de Montereggio, an Austrian of Italian origins.

“Mathesis: Studies on Anarchy and the Hierarchy of Knowledge” provides the title to this introduction, immediately leading to the suspicion of something other than a prior anarchist influence on the French philosopher. While the term mathesis universalis was advanced by the rationalist Descartes in order to designate a science capable of explaining everything, we may nevertheless be certain that its justifications prove platonic, theological and esoteric and it was within this scope that Malfatti applied the term.

What the author wrote and what Deleuze himself considered of “Mathesis” in this prose illuminates many aspects of his later work Anti-Oedipus, co-authored with Félix Guattari, such as the essay Difference and Repetition and the concept of a «body without organs».

The fact remains that Gilles Deleuze would never again mention Malfatti irrespective of applying the idea of mathesis in his essays on numerous different occasions. Furthermore, he did not authorise the republishing of any of the writings from his youth and a motive explaining the surprise of Kerslake. Those had remained safeguarded from the majority of readers.

Indeed, Malfatti ended up playing an important role in the secret societies of European occultism of the 19th century, among the Martinists, Rosicrucians, Freemasons, Illuminati and Theosophists. As a physician, he was a follower of the methods advocated by John Brown: all the therapies involved the administration of drugs such as opium, arsenic, camphor, wine or cinchona from Peru. It was not then rare to find, in the General Hospital of Vienna, patients in extremely advanced states of drunkenness, stumbling along the corridors or lying, prostrate in their beds…

Previously a theologian, Brown turned towards medicine after having cured the gout he suffered from through the consumption of opium. He put into practice with his patients the theory that the human organism functions through a combination of external and internal stimuli with the symptoms of any disease caused by imbalances in them. Recourse to opium simultaneously functioned as a stimulant and a relaxant for the excitability of the body.

For somebody with a contemporary perspective, this might appear strange. However, we need to take into account how two centuries ago psychotropic substances were perceived as the best of panaceas and commercially freely available and subject to prescription…

Not even the circumstances of their patients dying along the way, whether through the lack of any more effective cure or through an overdose, demotivated Brown and Malfatti from using those drugs and, as the chronicles testify, both displayed behaviours typical to drug addicts. Indeed, still furthermore, the latter became the clinic of preference for princes and the bourgeois. And also by artists: his name is now best recognised as the physician to the composer Ludwig van Beethoven than for any of his other activities. Still better: as the physician who killed Beethoven.

However, we shall get there soon enough… For the meanwhile, we need to be aware that the understanding prevailing in that period was very different to that kind of moral judgement we might hand down today. According to Schelling, the father of the then emerging natürphilosophie and also an inveterate smoker of Chinese pipes, Brown «was the first to understand the uniquely genuine principles of all the theories of organic nature». For example, those of «somnambulism» and «animal magnetism», which official medicine would later let fall by the wayside.

The «artificial fireworks» adopted by Malfatti to stimulate the «bodies without organs» has experienced the longevity that we know and encountered other defenders in philosophies of more recent influence, such as the psychedelics Timothy Leary and Terence McKenna, both, to a greater or lesser extent influenced by the anarchist movements and, hence, by Romantic occultism. Gilles Deleuze counts himself as among those radical thinkers that engaged in experiments with drugs and thus joining a list that stretches back to the post-Marxist Walter Benjamin and the anarchist Ernst Jünger in the final years of his life.

The orientalism of Leary and McKenna in the years between the 1960s and the 1980s was already present in Malfatti over the course of the years between 1790 and 1800, plunging into Hindu mysticism like few other of his contemporaries and from which he derived the notion of a «hidden anatomy» ordered according to polarities, powers and plans. Mathematical factors but from an incredibly old, stretching back millennia, metaphysical mathematics.

The name Malfatti would prove the delight of the hirsute bearded nihilists in their intentionally dirty clothing who, later, would not rule out any means to assassinate the czar of proud Russia. In every language, such is translatable as «Bad Deed» or «Badly Intentioned». Much gets discussed around what really did happen. Might the enlightened doctor have planned the death of Beethoven by poisoning, raising the dosage of arsenic in the potions he would prepare him? Might this not have been a simple accident even if foreseeable with such a dangerous medication? Might it even have been the composer himself who exaggerated in the quantities ingested?

What nevertheless remains certain is that mathesis took the life of Beethoven. He, at least so it would seem, was not actually infirm; he did however need some kind of stimulation in order to compose and this was the role played by the occultist physician. Arsenic contains aphrodisiac properties and these, when turned away from the act of sex, thus when sublimated or “transcendentalised”, generate a recognised creative potential. Beethoven was stimulated up to a level of absolute non-excitability. In a certainway, he was symbolically deposed from his conditions of genius.

The great irony to this story, which has Gilles Deleuze as its mediator, stems from how another great name in music, the Zen anarchist John Cage, sustained his entire musical theory on the negation of Beethoven. His affirmation that the latter «was wrong» has become proverbial. And he was wrong, in his opinion, because Beethoven defined sections of a composition by harmonic means and Cage not only spurned any relevance to harmony but also had a personal incapacity to deal with it.

Knowing the affinities between Post-Anarchism and science fiction as well as the fantastic literature of writers like William Burroughs, we have here all of the ingredients to imagine how Malfatti de Montereggio was mandated by a Deleuze turned time traveller through magical means, on the occasion of his death in 1995, to exterminate the person responsible for the authoritarianism of harmony in music, Beethoven. Consider how this would have made feasible the existence of a Satie, of a Webern and, of course, the inventor of the prepared piano…

The secret imposed by the post-structuralist thinker as regards his intellectual interconnections with the Italian born pre-nihilist of Vienna might, in this context, be interpreted as indicating complicity in a crime. It now remains to identify just who was the brains behind this Anarcho-esotericism driven conspiracy. Hakim Bey? For all of the consequences that we might wish to draw from this, the most mediatic of post-anarchists does have a criminal record. He is a publicly assumed paedophile.

Burn Collector #16

Al Burian
Pegacorn Press; 2012

Foi uma discussão e pêras no ZineFestPt sobre "crítica nos fanzines". Não que houvesse muito para confrontar entre mim e o André Coelho porque assumimos logo os papeis de "Velho do Restelo" e "mais velho que o do Restelo". Não porque quiséssemos fazer esse papel feitos retrógradas idiotas mas apenas porque achámos que havia logo à partida ideias "falsas" sobre os fanzines - culpa do moderador fofinho Tiago da Bernarda. Não há aqui nenhuma maldade contra o Tiago neste comentário, apenas acontece e creio que foi neste evento que dei conta como cada vez mais é tão rápido conceitos de certos "media" transformarem-se ao ponto que um dado objecto não consegue comunicar com o outro idêntico mas antecessor.

O conceito base "fã de algo" (ergo Fanzine) apareceu nos anos 30 e aguentou-se até 2000, sobrevive de vez em quando em poucas iniciativas. O "zine" e o "perzine", ou seja a lógica amadora aliada a vozes individuais (logo "fãs" de "nada", cai o "fan" e fica o "zine") tem inicio nos anos 70 e lá foi até 2000. Sempre "dois mil" porque é quando a 'net impõe a sua lógica na cultura e seu acesso no mundo físico. Nesta nossa presente década é cada vez mais visível a concretização de objectos monográficos a que se chamam de "fanzines", no entanto muita da produção contemporânea vive numa encruzilhada de distâncias equidistante do "livros de artista" e do "fanzine" clássico. Todas estes tipos de fanzines existem ao mesmo tempo - como é normal, uma cultura não apaga a outra completamente, senão como justificar a existência de ranchos folclóricos ou bandas de Garage Rock? - embora os dois primeiros tipos existem com menos força devido à informação na 'net e às redes sociais.

É natural, mesmo que o Tiago faça um fanzine (com todas essas letras) como o excelente Mariano, ele se deixe levar por concepções erradas de quem não viveu (devido à idade) o usufruto desses objectos no seu tempo. Não é uma crítica reaccionária o que escrevo aqui é apenas uma constatação biológica. As mutações dos fanzines ou de formatos idênticos passam pela tecnologia mas também de factores económicos e sociais. No debate alguém bem referiu a crise de 2008 e como esta nos mudou. Pode parecer estranho pensar que a Crise possa influenciar uma parte tão minúscula como os zines, uma forma de publicação barata e despretensiosa. Tal como no Rock é complicado ter bandas que durem muito tempo com quatro músicos porque cada um tem de pensar em sobreviver, o mesmo se pode dizer de reunir X amigos para criar um blogue credível para se escrever sobre BD ou uma grupeta para fazer um fanzine ou uma revista impressa. Não vale a pena discutir se  produzir publicações físicas faz ou não sentido em 2017 havendo o clique do rato ou o "stupidphone". Faz todo o sentido como já iremos ver, o problema é quem é que vai pegar no rolo da massa...

Na banca da Fox Italic, ilustradora ligada ao festival de Fanzines de Berlim, encontrei este Burn Collector que pelos vistos é um clássico da cena. Apesar de ser um "perzine" não deixa de ser relevante para aquilo que se discutiu. BC é um fanzine no sentido clássico porque inclui textos que vão de resenhas críticas de livros ou concertos a entrevistas. À primeira vista até transpira a ridículo quando se percebe que se escreve sobre o Triunfo dos Porcos / A Quinta dos Animais ou dos Iron Maiden. Mas tal como gritei semi-alcoolizado ao Tiago numa tarde da Raia quando ele preparava este debate: "sabes qual é a chave diiiiistu tudo? A INTIMIDADE DA LEITURA bla bla bla" (e depois desapareci como se tivesse deitado uma grande bomba intelectual no Tiago, coitado, que deve ter pensado que eu sou totalmente parvo). Vá, super-sóbrio estou eu agora e volto à carga. A intimidade da leitura, o prazer de se ler em conforto e concentração, isto é o mundo físico dos livros ou fanzines. Há que saber fazé-lo e bem. O BC é desses casos. É impresso em risografia mas a maior parte da publicação são textos - há umas BDs "freaky freaks" à Krazy Kat / underground comix que nada adiantam a não ser embelezar o zine, olha, coisa importante que NENHUMA publicação oficial neste país sabe fazer há mais de uma década! - Então, onde íamos!? Impressão sexy para um zine de literatura, nada mau! Dois, os textos são todos do punk norte-americano Al Burian residente em Berlim, que escreve como se deve escrever quando se é punk, ou seja, "on your face" e sem rodriguinhos. Como tal, é capaz de escrever sobre o livro do Orwell ou dos Maiden com alguma nova perspectiva - tal como Tiago Baptista tem feito, de forma mais intelectual, nos seus Preto no Branco ou Cleópatra sobre os Crass ou Swans, bandas que qualquer gato pingado conhecerá nos dias de hoje, coisa que não era verdade em 1988 ou em 1998. Ou seja, BC dá gozo ler porque é bem impresso, é intimista e por mais zine que seja sabe comunicar com os seus leitores. O último número é de 2012, alguma coisa mudou entretanto?

PS - Numa das entrevistas, um punk diz algo do tipo: "os anarquistas e punks e a Esquerda como não tem religião fragmentam-se em mais discussões. Olhem o que acontece com a Direita, que por serem mais fanáticos conseguem estar mais organizados...". Atenção que o punkito pratica Yoga e quando fala em religião não se refere ao porco nazareno e outros javardes. Religião, como um sistema de crenças espirituais comuns, creio. Tema delicado e pantanoso mas eis um bocado de food for brain...

Berlim : Cidade Sem Sombras de Tiago Baptista na Bertrand


BERLIM
Cidade sem Sombras
de

1 residência artística / 1 artista sem luz / 3 meses de frio / alguns encontros / algumas considerações e até um sonho!


Entre Fevereiro e Abril de 2013, Tiago Baptista (Leiria, 1986) participou na residência artística Culturia em Berlim. Esse Inverno foi o menos luminoso em décadas e isso ressentiu-se na sua estadia, nos seus hábitos, nas suas impressões sobre a cidade, no seu trabalho e agora no resultado deste livro.

Segundo o autor: «aqueles meses sem sombras foram como um bloco monolítico de tempo que parecia não passar. Era como se o tempo tivesse ficado suspenso, como se não passasse porque aparentemente a luz também ela não se movia. Tentei que este livro falasse sobre essa falta de luz e também sobre a falha da memória. De facto, parece-me que o que guardamos são falsas memórias.»

Este é um livro sobre fantasmas. Fantasmas de memórias e de uma cidade que já não existe, de um sistema que desapareceu mas que está ainda tão presente, nos edifícios, na História, no turismo, nas pessoas...


Disponível na loja virtual da CCC e na BdMania, Letra Livre, Tasca Mastai, Pó dos Livros, Artes & LetrasPalavra de Viajante, Mundo Fantasma, Tigre de Papel, Kingpin BooksLinha de Sombra, Bertrand... Depois de tomar Portugal vai a caminho de Berlim, um bocado como a letra do Leonard Cohen! Sim, chegou à Neurotitan!





O autor licenciou-se em 2008 em Artes Plásticas na ESAD nas Caldas da Rainha onde começou a publicar várias publicações em 2005 sob o nome de Façam Fanzines e Cuspam Martelos. Como artista plástico o seu trabalho é reconhecido por vários prémios (Amadeo de Souza-Cardoso 2015 e Fidelidade Mundial Jovens Pintores 2009) e exposições em várias galerias e instituições como Palácio Vila Flor (Guimarães), Sala de Arte Joven (Madrid), Galeria 3+1, Fundação EDP, João Cocteau (Berlim), ZDB, Museu-Colecção Berardo. A sua bibliografia inclui Fábricas, baldios, fé e pedras tiradas à lama (Oficina do Cego + a9)))); 2012), Stalker (Ao Norte; 2015), Imagem Viagem (Bedeteca de Beja; 2016) e o livro colectivo desta mesma colecção, Zona de Desconforto (2014) onde foram publicados alguns episódios do presente volume. Foi o vencedor do Toma lá 500 paus e faz uma BD! (2016) com um livro a publicar em 2018 sobre a Greve Geral de 18 de Janeiro de 1934.

Historial: 

Apresentação na ZDB, no dia 9 de Novembro de 2017 com apresentação de Joana Miguel Almeida 
...


feedback:

(...) regressando à ideia desta mesma série de livros de dar a ver uma certa ideia de trânsito mas desprendida totalmente das mais usuais linhas da “literatura de viagens” e muito menos associada ao “encómio do turismo”. O objectivo deste livro, afinal, não é conhecer a cidade de Berlim, nem tampouco compreender “as experiência de Tiago Baptista em Berlim”, mas antes compreender como é que essa experiência se abre a toda uma série de interrogações de identidade própria, alheia, global, cultural e política. Baptista não envereda jamais num discurso directamente panfletário, como dissemos, preferindo ou um certo grau de ambiguidade ou deixar que os não-ditos se instalem de modo suficiente a obrigar o leitor a instalar-se nos interstícios do que se assinala como silêncio, esquecimento, precariedade, miséria, e também consciência. São marcantes sobretudo os relatos de Jenin e Maranda, ambos mostrando locais em que o autor-protagonista come e vai ao encontro não somente da pessoa que ali trabalha (respectivamente, um palestiniano da Cisjordânia e um português de Tondela) como nesse diálogo compreende a distância da sua experiência com a dessas outras pessoas, assinalando não somente mecanismos de empatia como de auto-compreensão de um certo privilégio.

Ao contrário de livros que pretendem fechar um sentido e dar ao leitor uma sensação de equilíbrio humanista, em que uma suposta utopia de grande família seria possível, Baptista quer mostrar a aguda distância que separa cada ser humano, nos seus mundos específicos, assim como a rugosa textura do próprio mundo, ou do pouco mundo, que se consegue estabelecer como comum. (...)

(...) é espetacular!
Goran Titol

Este livro de pequenas narrativas evoca os três meses que o Tiago passou em Berlim, no contexto de uma residência artística no ano de 2013. Digo “evoca” porque este livro não parte de um diário gráfico utilizado na altura, mas de um registo de memória a posteriori, com todas as hesitações e incertezas que invariavelmente temos ao lembrar uma história que já se passou há meses ou anos. Essas dúvidas – que o Tiago assume – traduzem-se em falas rasuradas, em personagens sem expressão, sem cara. Em desenhos que às vezes são pintados digitalmente e outros numa aguarela fluida quase onírica. Admitindo que as suas recordações se dissolveram no tempo, reflecte também, uma vez que está em Berlim, sobre o lugar da memória cultural: afinal, do que nos lembramos nós? O que é que lembramos e o que é deixamos esquecer? Quem é que merece ser lembrado e esquecido?
Joana Miguel Almeida (na apresentação oficial na ZDB)


Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal

 Histórias e visões que se cruzam com ideias, debates, explicações e expressões da própria experiência criativa, que fazem desta mais uma recomendável incursão por uma cidade que não deixa ninguém indiferente. Eu talvez não partilhe do mesmo aparente encantamento do autor por algumas memórias da RDA (que me parecem mais coisa de pesadelo do que de sonho), mas não é por aí que possa perder viço este belo conjunto de retratos e experiências berlinenses. Pelo contrário, é ao sentirmos que olhamos e sentimos a cidade por quem a comenta com textos e desenhos que vivemos, entre as páginas deste livro a força que tem a verdade de um retrato de autor. Que nos conduz através de fragmentos de experiências e reflexões, num conjunto que não quer contar uma história, mas, antes, falar-nos de um lugar e do modo como cada um o habita à sua maneira.

Nuno Galopim in Máquina de Escrever

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

FEARLESS COLORS - comix remix de Samplerman publicado em Portugal!

A BD demorou 40 anos a chegar ao automatismo (obrigado Robert Crumb e Moebius por terem tomado drogas!), ”andou às aranhas” com a autobiografia ou à auto-representação do autor, jornalismo, ensaio e crónica e uma eternidade no que diz ao respeito institucional. Não podemos ficar de fora, não podemos deixar que os DJs roubem todo o bolo! Preparem lá essa tesoura e cola! Melhor ainda… saquem lá o Photoshop! 

É um pássaro?
É um avião? 
Não! 
É o Samplerman!!!

Ladrão que rouba ladrão, mil anos de perdão!



Estará já disponível este Sábado na BD Amadora no stand da Chili Com Carne.

Formato A5. 100 páginas, Quatro cores. 
Capa mole com verniz localizado

Uma co-edição da MMMNNNRRRG com a Kuš! e Ediciones Valientes

FEARLESS COLORS compila algumas das melhores páginas de BD que Samplerman produziu entre 2012 e 2015. Pode-se dizer que elas fazem homenagem aos "comic-books" norte-americanos dos anos 40 e 50, sendo misturados tal como uma viagem de um DJ a realizar o que Marcos Farrajota intitulou de Comix Remix - artigo escrito originalmente para o jornal finlandês Kuti e entretanto acessível em várias línguas: português no blogue da Chili Com Carne, em francês no livro Metakatz, alemão no sítio Drei Mal Alles e em sueco na revista Sekvenser.

Atravessando géneros clássicos como o romance cor-de-rosa, o policial, a ficção científica e o terror, algumas das páginas tanto se identifica excertos de Fletcher Hanks como o "Samplerman original": Ray Yoshida. Violência, acção, disparos, naves espaciais, micróbios e bactérias, corpos mutilados são remontados numa colagem fractal que nos possibilitam novas formas de narrativas e leituras. 

Por detrás de um super-heróis há sempre o alterego. Neste caso de Samplerman esconde-se o desenhador francês Yvang. Começou com a experiência Samplerman em 2012 através do tumblr ZDND (La Zone De Non-Droit) juntamente com o irrequieto Leo Quievreux, tendo contaminado a web desde então. Participou em várias publicações como a š! (Letónia), Off Life, Smoke Signal, Ink Brick, Lagon, The Village Voice e Scratches. A solo sairam os seguintes livros: Street Fights Comics (ed. de Autor, 2016), Miscomocs Comics (Le Dernier Cri, 2017), Samplerman (Secret Headquarters, 2017) e ilustrou ao LP colectênea Intrepid Curves #18 da Vinyl Moon. 

FEARLESS COLORS é o livro que colecciona a maior parte do seu trabalho. 
Vai dar que falar!!!

Para já foi seleccionada a Bedeteca Ideal


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Já está disponível na Artes & Letras, BdMania, Letra Livre, Mundo Fantasma, Nova Livraria Francesa (de onde se espera fazer um lançamento oficial em Janeiro 2018), Pó dos Livros, Tasca Mastai, Kingpin Books... Brevemente na Matéria Prima e Utopia.

BRUMA de AMANDA BAEZA @ Kingpin Books

El deslumbrante debut de Baeza (...) Autobiografía de vanguardia para el siglo XXI. 
The Watcher
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un estilo y una narrativa subversiva en la que la artista (...) utiliza el humor, juega con la ironía y desarrolla un discurso en el campo social y político que la propia autora ha decidido bautizar como activismo visual.
Cactus
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Amanda Baeza nasceu em Lisboa, em 1990, cresceu no Chile e regressou a Portugal com 10 anos. Talvez seja por ter crescido entre dois hemisférios que haja quem diga que os seus desenhos vêm de outro mundo.

No entanto sabemos que as bandas desenhadas seleccionadas neste volume baseiam-se em eventos e sentimentos reais. O seu grafismo tem tanto de assertivo como de mutante e é na fusão com as palavras que nos surgem estas originais narrativas e poesias visuais.

Baeza actualmente reside em Lisboa e desde 2012 que trabalha para várias publicações internacionais. Bruma compila quase duas dezenas de histórias, a maior parte delas inéditas em Portugal, uma delas com texto de Pedro Moura.

Já se encontra à venda na nossa loja em linha e na Linha de Sombra, Letra Livre, Artes & Letras, Blau (Fac. Arquitectura de Lx), MOB, A Ilha, Pó dos LivrosBdMania, Matéria PrimaTasca Mastai, STET, Tigre de Papel, Bertrand, FNAC, Utopia, LAC (Lagos), Kingpin BooksMundo Fantasma.









10º volume da colecção Mercantologia
160p. 15x21cm a cores, edição brochada
edição apoiada pelo IPDJ

Sairam entre o final de 2016 e juntamente com esta edição, um livro em castelhano pela Fulgencio Pimentel - Nubes de Talco (128p., formato 17x24cm) - e em inglês pela letã kuš! - Brume (116p., formato A5). Na realidade isto foi uma parceria entre os três editores para reunir o trabalho desta estimada autora sendo a edição portuguesa a mais completa, a espanhola a mais bonita e a inglesa a mais universal.
:)

Dankas very muchas Cesar & David!

;.;

sobre o livro:

Apresentado oficialmente no dia 26 de Março 2017 na Feira Morta na Estrela (Lisboa) com uma exposição dos trabalhos da autora.
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Quando a maioria das obras de banda desenhada portuguesa editadas anualmente é distribuída por canais alternativos às livrarias e aos pontos de venda de periódicos (...) cabe ao leitor interessado fazer um esforço extra para acompanhar as obras dos autores que lhe interessam, sem garantias absolutas de sucesso nesta demanda. A sua exposição reduzida implica que sejam lidas e analisadas por poucos, correndo o risco da memória histórica nem sempre as considerar. Foi a pensar em tal, que a Chili Com Carne concebeu a sua série Mercantologia, dedicada à reedição de “material perdido”. O seu 10.º volume (...) não poderia simbolizar mais o propósito da coleção. Amanda Baeza é uma das mais interessantes e prolíficas autoras nacionais – com o devido respeito à sua origem chilena – cuja obra mui raramente chegou às livrarias e, nesses poucos casos, sempre em antologias de vários autores. A acrescentar ao nem sempre fácil acesso ao mundo dos zines e demais edição independente, Baeza tem sido publicada em diversas línguas e países, por vezes com material inédito em Portugal. Por tudo isto, uma antologia dedicada à obra de Baeza era imperativa há já algum tempo e finalmente os leitores interessados poderão conhecer um importante conjunto de bandas desenhadas representativo do seu trabalho. 
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Foda-se, este livro é mesmo bom. Para além de ser um assombro, de ser bonito - coisa rara na Era Irónica -, para além de ser o melhor que a BD pode ser, para além de ser um livro em que se sente o que se está a ver como se fosse um deleite déjà-vu, é um livro que deve ser aberto quando precisamos de nos relembrar ocasionalmente de que somos humanos. Obrigado, Amanda Baeza. 

Uma compilação de quase duas dezenas de histórias, grande parte inéditas em território nacional, muito "focadas em temas sociais", conta a jovem de 26 anos ao P3. E "muito íntimos" e biográficos. (...) uma brevíssima BD em que Amanda fala da sua experiência ao chegar a Portugal e do "estigma" que enfrentou desde criança como imigrante. "Embora as ruas tenham um ambiente multicultural, é por trás de quatro paredes que as pessoas expressam todos os seus medos e preconceitos", lê-se, num dos balões. O traço tem sempre algo de mutante e alienígena, quebrando as barreiras tradicionais da BD ("Tenho muito a influência do design e, como não estudei banda desenhada, quebro muito a estrutura") e, hoje em dia, dando especial importância à cor ("Não é apenas decorativo, é outra linguagem"). 

Aquilo que é salientado, em primeiro lugar, é o campo magnífico visual em que Amanda Baeza trabalha. Há aqui um felicíssimo encontro entre uma figuração ultra-estilizada e uma liberdade dos espartilhos estruturais mais clássicos da banda desenhada que a lança a vários experimentos de organização do campo visual, da estruturação narrativa, da concatenação de linhas divergentes, modos de atenção, etc.(...) A re-descobrir de um modo sustentado ou como primeira apresentação, Bruma, esperemos, será um gesto de introdução de uma autora com uma voz particularmente original 

(...) Amanda consegue fazer um trabalho perfeitamente perturbador. 
Tiago Baptista in Cleópatra #10

Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal

Prémio Nacional para Melhor Desenho pela BD Amadora 2017

li o livro da Amanda Baeza e é uma maravilha, uma das melhores coisas que vi em quadrinhos nos últimos tempos.
Fábio Zimbres

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Sobre a edição espanhola: Las escenas no responden a una lógica, porque Baeza parte de una certeza que muchos otros autores autobiográficos soslayan: los hechos tal y como sucedieron se han perdido para siempre y son irrecuperables. ¿Qué queda, entonces? Las emociones, las imágenes deformadas tras años de anidar en nuestro cerebro, a veces algo inconexas. Baeza no reconstruye lo que pasó, sino la impronta que dejó en ella. Es una autobiografía emocional, por inventar algún palabro que alcance a explicar un poco su trabajo. The Watcher

Sobre a edição em inglês: They experience a broad range of nuanced emotions, but they also seem to be completely untethered to our world of muddled pop-cultural references and political worries, as well as a little more physically amorphous than earthly people. Rookie